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sexta-feira, 1 de maio de 2009

Dengue.

Bahia confirma 47 mortes por dengue hemorrágica neste ano - 29/04/2009.

Um balanço divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde da Bahia confirma a morte de 47 pessoas por conta da dengue hemorrágica no Estado este ano. Os dados se referem até a data de 17 de abril, segundo a secretaria. De acordo com o balanço, foram confirmados 389 casos graves em 69 municípios. Deste total, foram confirmados 47 óbitos, dos quais 26 (55,3%) foram em menores de 15 anos e 21 (44,7%) em maiores de 15 anos.  Quanto às formas graves da doença - dengue com complicações, febre hemorrágica da dengue e síndrome do choque da dengue -, foram registrados mil casos suspeitos em 117 municípios. No ano de 2009, foram notificados 55.483 casos de dengue na Bahia, correspondendo a um aumento de 220% em relação ao mesmo período de 2008 (17.324). Até o momento, 342 (82%) municípios do Estado notificaram a doença através dos sistemas de informação da vigilância epidemiológica. Segundo a Secretaria, apesar de ainda estar no período de maior ocorrência da doença, os municípios de Jequié e Porto Seguro, cujas situações de surto chegaram a grandes proporções, já iniciaram tendência de decréscimo dos casos. Outros municípios ainda apresentam aumento do número de casos por semana epidemiológica, mantendo a linha da Bahia em níveis elevados. Os municípios de Jequié, Itabuna, Porto Seguro, Ilhéus e Salvador concentram 47,8% (26.509) das notificações do Estado. Fonte: Portal do Estadão.

Dengue D4 no Brasil.

Análise confirma entrada de dengue tipo 4 no Brasil  - 30/04/2009 12h12

Pesquisadores do Brasil confirmaram o aparecimento da dengue tipo 4 no país e acreditam que o vírus possa ter vindo diretamente da Ásia, em vez de passar primeiro pela América Central e Caribe, como costuma ser o padrão. O resultado está publicado em artigo no periódico "PLoS Neglected Tropical Diseases".  No ano passado, um estudo publicado por pesquisadores do Estado do Amazonas mostrou que a dengue tipo 4 havia sido encontrada em três pacientes de Manaus, mais de duas décadas após ser registrada em Roraima, em 1982. O Ministério da Saúde, porém, negou na época que existissem casos recentes de dengue 4. Com mais um tipo de vírus circulando, aumenta a possibilidade de um mesmo paciente se reinfectar, contraindo dengue hemorrágica, a forma letal da doença. Agora, cientistas da USP fizeram análises genéticas detalhadas de amostras de dois pacientes de Manaus, comparando os genomas do vírus com os de outras linhagens de dengue. Concluíram que realmente se tratava do tipo 4 da dengue. Segundo Paolo Zanotto, especialista em evolução de vírus do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, foi uma surpresa encontrar o genótipo 1 - diferente do que circula normalmente no continente americano e do que foi observado no Brasil na década de 1980. Além disso, o vírus da dengue costuma aparecer primeiro na América Central e no Caribe antes de chegar ao Brasil. Os pesquisadores acreditam que, desta vez, o padrão tenha sido diferente e ele possa ter vindo diretamente da Ásia. "A intensificação da atividade econômica entre o Brasil e outros países asiáticos (especialmente a China) pode explicar a direta introdução no Brasil", escrevem os autores. Para Zanotto, esse tipo de vírus é menos prevalente, ou seja, não acontece numa freqüência muito grande na Ásia. Porém, ele aumenta a incidência de dengue hemorrágica onde ocorre. Em sua opinião, o governo brasileiro não deve esperar o vírus se tornar um problema para tomar uma atitude. "Sabemos que o vírus pode entrar no local e ser mantido em baixa prevalência até se adaptar bem à rede de transmissão." Sem dúvida: A médica infectologista Maria Paula Mourão, da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas, que integrou a equipe que publicou o estudo em 2008, afirma que o grupo tem plena convicção dos resultados encontrados anteriormente. "E o novo estudo corrobora com o achado que fizemos no início do ano passado", afirmou. Questionada se ela espera que o ministério volte atrás, a pesquisadora disse que gostaria muito que houvesse "uma abertura para as pessoas novamente conversarem entre si".  Segundo Zanotto, um dos problemas de o governo dizer que a dengue tipo 4 não existe no país é o fato de não incluir esse tipo de vírus nos sistemas de detecção em uso pela vigilância do Ministério da Saúde. Para os pesquisadores, a presença da dengue tipo 4 nas Américas "deve ser recebida com grande atenção e deve ser assegurada uma intensificação das atividades de vigilância no Brasil em particular". Isso significa considerar a inclusão da dengue tipo 4 na detecção sorológica e molecular.  A reportagem procurou a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e o Ministério da Saúde ontem (29/4), mas não houve resposta.  Fonte: Folha de S.Paulo.